1. tenho medo que a minha fome de mundo te assuste. medo porque o mundo me pesa e eu devoro tudo rapidamente e tudo me devora rapidamente. e você pode ser o tudo.
2. tenho medo que você não saiba aceitar meu silêncio e o julgue. medo porque é isso que todo mundo faz quando na verdade meu silêncio é só um “cuida de mim” que eu não consigo falar e engulo.
3. tenho medo que você não entenda as coisas que eu falo. medo porque ninguém entende e quase sempre são coisas do meu coração que eu cansei de guardar da boca pra dentro.
4. tenho medo que eu não te caiba e falte formato ou pedaços. medo porque eu não sou completa e talvez meus pedaços e meu formato indefinido te façam não querer ser meu abrigo.
5. tenho medo de não poder te tocar e sentir e amar. medo porque eu quero poder.
6. tenho medo que você note a minha tristeza diária. medo porque eu sempre fui triste e ninguém quer alguém triste.
7. tenho medo que você passe depressa e me olhe igual os outros me olham. medo porque eles só olham mas não me vêem e por você eu quero ser vista. quero ser notada.
8. tenho medo que você me troque. medo porque alguém mais leve te faria um bem maior. mas eu tento tanto.
9. tenho medo que você faça igual a Clementine de brilho eterno de uma mente sem lembranças e decida me apagar sem pré aviso. medo porque ninguém se despede só abre a portinha e sai e te esquecer ia ser mais doloroso do que foi pro Joel.
10. tenho medo de despir tudo pra você. medo porque você pode sumir e não voltar e me achar feia num mundo que também é feio.
11. tenho medo de te perder. medo porque sei que ninguém é de ninguém mas ganhar sua companhia nesse mundo impreciso já significa muito pra mim.
12. tenho medo que tu tenha mais medos que eu [e tu tem]
A nossa geração não é uma geração feliz. E não tá tudo bem quanto a isso.
Tá todo mundo perdido, todo mundo sem rumo. A verdade é que tá todo mundo sem esperança, e quando a esperança morre, uma parte da gente morre junto. Tá todo mundo meio morto por dentro, vivendo em um mundo aonde a gente é 24 horas pressionado pela sociedade, escola, família, estágio, faculdade, trabalho, amigos…
Não tá tudo bem. Tá tudo mal. Tá tudo muito mal.
A nossa geração tá baseada em ataques de pânico, crises de ansiedade, depressão, bipolaridade, tentativas de suicídio, suicídio, auto mutilação, transtornos alimentares, fobias. A nossa geração é infeliz pra caramba.
A gente procura alguma coisa pra se viciar pra fugir dessa infelicidade, sorte a nossa quando o vício é a internet, um sono exagerado e umas séries na netflix. Ainda assim eu não consigo descrever o quão deprimente é ver jovens vivendo suas vidas trancados em quartos sem vontade alguma de sair. Mas mais triste é quando o vício é auto destrutivo. Triste é quando isso mata a gente por dentro aos poucos sem a gente perceber. E pior ainda é quando a gente percebe mas já perdeu o controle disso. Ou ainda tem controle e não se importa mais.
A pressão vinda de todos os lados tá deixando os jovens doentes. A falta de entendimento tá deixando a gente maluco, se é assim que a maioria gosta de chamar. O crescimento da tecnologia, que tinha tudo pra ser algo bom, tá fritando nossas cabeças e controlando nossas vidas de uma forma bizarra em vez do nos ajudar. A ignorância em relação a saúde mental tá destruindo a cabeça de todo mundo. A falta de empatia entre nós mesmos tá tornando nossas vidas cada vez mais difíceis. E chega um dia que isso não tem volta. Não é drama, não é exagero. É uma realidade que ninguém quer encarar. Porque não é normal.
Não, não é normal o cara parar de viver pra passar em um vestibular, não é normal o cara parar de comer para se encaixar em um padrão criado pela sociedade. Não é normal o cara não poder se divertir porque ele não tem tempo porque tem trabalhos demais da faculdade. Não é normal o cara não ter amigos porque ninguém “atura” as crises dele e não sabe lidar quando ele não tá bem. Não é normal o cara não conseguir um emprego porque ele se veste do jeito que quer e tem o cabelo azul. Não é normal o cara não conseguir sair de casa por dias sem ter uma crise de pânico. Não é normal o cara de 15/16/17/18 anos ou algo por aí passar mais noites chorando do que dormindo. Não é normal o cara não poder mais falar com os pais porque ele namora outro cara. Não é normal todos estarem 100% preocupados com o nosso futuro acadêmico, nosso sucesso no mercado de trabalho escolhido muitas vezes por outras pessoas e 0% com a nossa saúde mental, com nossos desejos, nossos planos, nossos sonhos. Não é. Não é normal um monte de coisa que a sociedade vêm dizendo pra gente que é normal, que a gente tem que aceitar, que a gente tem que seguir, que respeitar. Não é normal dizerem isso 300 vezes por dia no nosso ouvido até a gente acreditar e nunca se sentir bom o suficiente.
Eu tô cansada de ver meus amigos indo embora, se tornando outras pessoas, se cansando de quem são, desistindo de quem são e de tudo que queriam ser. Eu tô cansada de ver meus amigos sumindo, desacreditando deles mesmos, desacreditando que eles são bons o suficiente. Tô cansada de ver meus amigos se cansando de viver. Tô cansada de ver todos os jovens perdendo sua originalidade em um vazio que foi dito a eles que era obrigatório ser seguido, porque o outro caminho que eles escolheram era inútil e não valia de nada. Tô cansada de ver jovens que não conseguem enxergar seu valor sozinhos e cansada do resto do mundo só confirmando a eles que esse valor é 0.
A vida é pra ser prazerosa, e é isso que estão tirando da gente.
Escuto constantemente que as outras gerações foram mais úteis para o mundo, fizeram mais pela gente, importaram mais. Mas como podemos ser ou fazer alguma coisa para o mundo quando as pessoas nos dizem pra não termos esperança nem em nós mesmos?
”Ok, agora partindo para nós.
A gente pode ter uma vaca? Eu vi um video de uma vaca chamada “Milkshake” antes, ela me lembrou você, ela tem uns distúrbios de personalidade, e ela acha que é um cachorro, seria tão legal uma vaca cachorro. Outra coisa legal, em 570 dias, você foi a unica pessoa com a qual eu desejei ter uma vaca junto. Você é o tipo de pessoa que desperta nas pessoas o sentimento de “Seria legal morar com ela e ter uma vaca cachorro”, talvez pela semelhança, sabe.
Ah, não vou esquecer das coisas que precisam estar presentes em tudo que eu escrever: Eu te amo, caralho, eu te amo cara. Você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida, e a melhor pessoa que eu ja conheci, e eu tenho certeza que você é a melhor que eu poderia conhecer, ah, e você é o amor da minha vida. Talvez você tenha cansado de ler sobre isso já, a janelinha de texto do Tumblr tá pedindo pra eu parar, mas é mais forte do que eu. Ano passado no dia dos namorados eu ouvi um “Nossa, tu tem sentimentos”, foi de uma colega minha lá, e isso foi estranho, porque, talvez eu não tenha percebido, mas eu passo pra algumas pessoas a coisa de que eu não tenho, e eu também já ouvi uma vez (sobre eu e você): “Nossa, eles falam igual gente normal, e não como namorados.”, e isso também foi estranho, parece que nós somos dois amigos que falam sobre vacas e gansos, mas aquele lance de “amigos com benefícios”. Essa coisa toda, somado com o fato de o meu eu pensar que eu tinha nascido pra ser sozinho (antes de você chegar), ainda me faz desconfiar que mesmo acompanhado eu vou parecer sozinho para alguns, mas isso não vem ao caso, eu acho. Enfim, é só pra deixar claro mais uma vez que, eu te amo, é, isso, (sim janelinha do Tumblr, você ainda vai ler muito isso, chola mais). Ah, e por favor, tenha uma vaca cachorro comigo.”
(via empt-ness)
